Avaliação dos métodos contraceptivos artificiais

Quais as consequências gerais mais imediatas da utilização dos métodos contraceptivos?

A introdução da “pílula” no ano de 1956, como meio para regular a fertilidade humana, originou umas das convulsões sociais mais importantes do nosso século, ao abrir a porta à revolução sexual que se iniciou pelos anos sessenta. A possibilidade fácil e cómoda de separar o prazer do acto sexual da sua função reprodutora, facilitou a utilização do sexo unicamente com a finalidade do prazer, dando lugar assim à trivialidade das relações sexuais – que nas últimas décadas se estendeu na nossa sociedade ocidental.
Por este motivo, verificou-se que o número de adolescentes que tiveram relações sexuais pré-matrimoniais aumentou nos Estados Unidos, de 30% em 1971 para 43% em 1976 e 50% em 1979. Esta utilização indiscriminado do sexo aumentou o contágio das doenças de transmissão sexual e o número de gravidezes em mulheres jovens.

A utilização dos métodos artificiais conseguiu reduzir o número de gravidezes nas adolescentes?

Tem-se afirmado repetidamente que, com a utilização dos métodos artificiais de regulação da natalidade, se iria conseguir diminuir, tanto a incidência das doenças de transmissão sexual, e entre elas o SIDA, como a gravidez não desejada, em especial nas adolescentes. No que respeita a este último tema, verificou-se precisamente o contrário. Com efeito, alguns dados podem confirmar a verdade sobre este assunto: na Inglaterra e em Gales, em 1978 verificaram-se 85.000 gravidezes em adolescentes. Em 1988, depois de dez anos de intensas campanhas para promover a utilização destes métodos artificiais, houve cerca de 100.000 adolescentes grávidas. Nos Estados Unidos, na década dos anos setenta, o número de adolescentes grávidas aumentou 36%, percentagem que se torna ainda mais significativa se se tiver em conta, que nesta mesma década, o número total de gravidezes diminuiu significativamente.
Em resumo: nestes anos de intensa campanha de difusão dos métodos artificiais de contracepção, o número de adolescentes grávidas não diminuiu. Pelo contrário: aumentou.
Esta realidade vem confirmar o facto de se verificar um estreito paralelismo entre o aumento de adolescentes grávidas e os custos de administração de planeamento familiar; e ao contrário, os países que menos gastam em planeamento familiar, são os que têm um índice mais baixo de abortos de adolescentes e de nascimentos fora do matrimónio.

A utilização dos métodos artificiais conseguiu reduzir a frequência das doenças de transmissão sexual?

Também não se conseguiu reduzir o número de doenças de transmissão sexual. Vejam-se uns exemplos: entre 1962 e 1975, primeiros anos de utilização massiva dos métodos anticoncepcionais, a incidência da gonorreia aumentou cerca de 15% em cada ano, passando de menos de 100 casos em 1957 para 473 em 1975, por cada 100.000 habitantes. Entre 1985 e 1989, anos de máxima campanha nos Estado Unidos para utilizar o preservativo como meio de prevenir o SIDA, a incidência da sífilis, tanto primária como secundária, aumentou 61% (de 11,4 para 18,4 casos por 100.000 pessoas). Num Estado concreto, na Geórgia (USA), o aumento foi de 214%. Entre alguns grupos sociais. este aumento foi ainda maior. Assim, por exemplo, entre as mulheres de cor dos Estados Unidos, o aumento foi de 176% (de 35,8 a 98,7 casos por cada 100.000 mulheres).
Estes dado, mostram como é utópico pensar que as campanhas de propaganda do uso de preservativos pelo, adolescentes vão evitar a progressão da epidemia de Sida. Se não evitam a gravidez, de que só há risco em uma dúzia de dias por mês (período fértil), como vão evitar o contágio de Sida que pode dar-se todos os dias?

A utilização dos métodos artificiais conseguiu reduzir o número de abortos?

Uma população especialmente representativa para estudar a possível influência que a utilização dos contraceptivos possa ter sobre o aborto, é a população constituída por mulheres jovens. Assim, nos Estados Unidos em 1972 fizeram-se 19,2 abortos por mil mulheres de idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos. Estes números, depois de intensas campanhas de regulação da natalidade, foi de 44,3%, isto é, aumentou 2 vezes e meia.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)