A que se devem os erros das previsões demográficas?

Podem ser devidos fundamentalmente a duas causas. A primeira tem origem no facto de o crescimento da população não estar sujeito a leis rígidas que evolucionem com ritmos definidos e que, portanto, permitam chegar a resultados razoavelmente viáveis. A esta dificuldade de fundo, junta-se a outra dificuldade que tem a ver com as maneiras de realizar as previsões e tem contribuído para previsões alarmantes nas últimas décadas.

Nos nossos dias é geralmente admitido que o crescimento demográfico segue uma pauta evolutiva conhecida como a teoria da transição demográfica. Segundo esta teoria, o crescimento da população, ao longo da história. pode dividir-se em quatro etapas bem definidas. Na primeira etapa existia uma elevada mortalidade ao mesmo tempo que existia também um grande índice de natalidade, pelo que o resultado global era um escasso crescimento da população. Nesta situação de equilíbrio, viveu a humanidade durante o período mais longo da sua história. Numa segunda etapa reduziu-se a mortalidade mantendo-se taxas de fecundidade muito elevadas; por isso o resultado do crescimento demográfico era muito elevado. Numa terceira etapa, com a era da industrialização, diminuiu drasticamente a taxa de nascimentos que teve como resultado o crescimento demográfico se ter estabilizado. Finalmente, existe uma quarta etapa, que diz respeito, particularmente, à maioria dos países industrializados da área ocidental. Neles, ao reduzirem-se ainda mais as taxas de fecundidade, o crescimento global da população não chega nem sequer para alcançar o mínimo necessário para a adequada renovação das gerações: assim se iniciou uma progressiva diminuição da população nesses países – em muitos casos está mesmo a descer-se a valores verdadeiramente alarmantes.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.