Eutanásia passiva

“Eutanásia passiva” é um eufemismo

Este deliberado equívoco terminológico dá lugar a numerosos eufemismos, semelhantes aos empregados durante anos pelos defensores do aborto. “Eutanásia passiva” significa deixar morrer sem cura o doente cuja vida está prestes a findar. Esta expressão significa a supressão de qualquer tratamento médico que prolongue a vida, sem fazer mais distinções. Assim, com estas expressões metem-se no mesmo saco práticas médicas perfeitamente lícitas e legais, que conferem uma certa dignidade às actuações ilícitas que com elas se misturam.

“Não se pode chamar “eutanásia passiva” – segundo Pollard – a interrupção de um tratamento só porque é demasiado caro e inútil, seja a pedido do doente, seja por determinação do médico, ou por decisão de ambos, sempre que haja a intenção de pôr termo à vida”. Esta actuação de deixar que a doença siga o seu curso normal – quando há a certeza de morte iminente e de que o tratamento é ineficaz e doloroso – cabe por inteiro dentro das práticas médicas reconhecidas como éticas.

Portanto. apenas se pode falar de eutanásia passiva a respeito daquelas acções que deliberadamente desencadeiem a morte do doente, através da supressão de um tratamento eficaz e não excessivamente gravoso, necessário para manter a vida. No fundo, este tipo de eutanásia seria, sob o ponto de vista moral, equivalente à eutanásia activa por omissão.

O modo simplista com que se costuma apresentar à opinião pública uma questão tão complexa leva Brian Pollard a duvidar do valor real das abundantes sondagens a favor da eutanásia com que os seus adeptos esgrimem. Como a terminologia utilizada é muito confusa, mesmo para os entendidos, existem fundadas suspeitas de que os entrevistados são levados a responder a muitas perguntas tal como o entrevistador pretende. Além disso, há uma forte propensão para dar uma resposta sem reflectir, quando uma pessoa não tem que enfrentar pessoalmente o problema, e talvez porque se desconhece que quando se proporciona aos doentes terminais medicamentos para aliviar a dor, que em si mesmos podem ser letais, nunca os utilizam para acabar com a vida.

JERÔNIMO JOSÉ MARTIN

 

Brian Pollard, médico australiano, especialista no tratamento e assistência a doentes terminais, publicou um livro que revela os diversos aspectos da eutanásia.

 

 

(in FOCO Nº 55)