Eutanásia passiva
Brian Pollard, médico australiano, especialista no tratamento e assistência a doentes terminais, publicou um livro que revela os diversos aspectos da eutanásia.
POLLARD trabalha há mais de trinta anos numa unidade de cuidados paliativos de um importante hospital de Sidney. Pelas suas mãos passaram já muitos doentes terminais. É com base nesta experiência que ele publica o seu estudo, com uma finalidade eminentemente informativa. Através de breves capítulos, faz uma análise concisa mas profunda de toda esta problemática.
“Eutanásia passiva” é um eufemismo
Este deliberado equívoco terminológico dá lugar a numerosos eufemismos, semelhantes aos empregados durante anos pelos defensores do aborto. “Eutanásia passiva” significa deixar morrer sem cura o doente cuja vida está prestes a findar. Esta expressão significa a supressão de qualquer tratamento médico que prolongue a vida, sem fazer mais distinções. Assim, com estas expressões metem-se no mesmo saco práticas médicas perfeitamente lícitas e legais, que conferem uma certa dignidade às actuações ilícitas que com elas se misturam.
“Não se pode chamar “eutanásia passiva” – segundo Pollard – a interrupção de um tratamento só porque é demasiado caro e inútil, seja a pedido do doente, seja por determinação do médico, ou por decisão de ambos, sempre que haja a intenção de pôr termo à vida”. Esta actuação de deixar que a doença siga o seu curso normal – quando há a certeza de morte iminente e de que o tratamento é ineficaz e doloroso – cabe por inteiro dentro das práticas médicas reconhecidas como éticas.
Portanto. apenas se pode falar de eutanásia passiva a respeito daquelas acções que deliberadamente desencadeiem a morte do doente, através da supressão de um tratamento eficaz e não excessivamente gravoso, necessário para manter a vida. No fundo, este tipo de eutanásia seria, sob o ponto de vista moral, equivalente à eutanásia activa por omissão.
O modo simplista com que se costuma apresentar à opinião pública uma questão tão complexa leva Brian Pollard a duvidar do valor real das abundantes sondagens a favor da eutanásia com que os seus adeptos esgrimem. Como a terminologia utilizada é muito confusa, mesmo para os entendidos, existem fundadas suspeitas de que os entrevistados são levados a responder a muitas perguntas tal como o entrevistador pretende. Além disso, há uma forte propensão para dar uma resposta sem reflectir, quando uma pessoa não tem que enfrentar pessoalmente o problema, e talvez porque se desconhece que quando se proporciona aos doentes terminais medicamentos para aliviar a dor, que em si mesmos podem ser letais, nunca os utilizam para acabar com a vida.
JERÔNIMO JOSÉ MARTIN
(in FOCO Nº 55)