A eutanásia promove o suicídio

Quer nos agrade quer não, um dos nossos papéis mais importantes como adultos na sociedade é o de dar exemplo às pessoas mais jovens e menos experientes. Afinal, aquilo que ensinamos aos jovens determinará, em grande parte, a forma como irão conduzir o mundo que lhes foi dado por herança … e que tipo de mundo os nossos netos vão herdar.

Aquilo que ensinamos aos jovens também determinará como irão tratar-nos quando formos idosos e estivermos enfermos.

O índice de suicídio entre os adolescentes nos EUA explodiu para mais de 2.500 mortes por ano. Lemos sobre pactos suicidas e assassinato/suicídio de adolescentes quase semanalmente. Os especialistas em demografia de suicídio (suicidologistas) já chamam esta situação “uma epidemia”.

Que tipo de exemplo um adulto passa aos adolescentes quando ele próprio se mata porque tem medo da dor ou de perder a “dignidade”? Ou porque poderá vivenciar algum grau desconhecido de dor por muitos anos – dor que provavelmente poderia ser aliviada?

Se a nossa sociedade aceitar a eutanásia, como iremos dizer a um adolescente desesperado que ele não tem o direito de se matar se a capitã da equipa de que ele gosta o expulsa da equipa? E o que se pode dizer da jovem cujo animal de estimação morreu? Ou do rapaz que não consegue ingressar numa equipa de futebol? Ou daquele que tem de abandonar a universidade porque repetiu o ano tantas vezes?

Os adolescentes não reagem a um padrão duplo. Não aceitam o comando “Faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Se a eutanásia se tornar legal e for aceite pela sociedade, poderemos esperar que a nossa “epidemia” de suicídio na adolescência se tornará uma “pandemia”, com talvez 10.000 a 20.000 casos a mais por ano.

Como vamos reagir a 25.000 casos de suicídio na adolescência, anualmente, sem parecermos grosseiramente hipócritas?

(Do livro “OS FACTOS DA VIDA”, de Brian Clowes, PhD, Capítulo V)