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Há razões baseadas na própria natureza do homem que aconselhem um comportamento aberto à vida?

 

Os processos biológicos mais importantes são aqueles que estão encaminhados para a conservação do indivíduo e da espécie e, entre eles, o da procriação. Para assegurar o exercício destes processos existem os instintos que são tendências fortemente impressas na natureza do ser vivo, que em determinados momentos, e quase sempre estimulados por uma sensação de prazer, movem ou impulsionam a realizar determinadas acções. Nos animam irracionais, estes actos não estão condicionados pela vontade, mas no homem podem e devem ser moderados pela razão. Entre os vários actos instintivos tem particular relevância o acto sexual. Por si, o prazer do acto sexual tem a sua justificação imediata no estímulo das relações sexuais orientadas para a procriação.

Desta forma, se a totalidade do acto sexual que é constituída pelo prazer que lhe está unido e pela possibilidade de procriar se desfaz, destrói-se todo aquele conjunto contínuo e harmonioso encaminhado a que se cumpra a finalidade biológica correspondente ao instinto. Consequentemente, ter-se-á que admitir que desfazer a globalidade do acto biológico que tem como finalidade a procriação, isto é, o acto sexual, constitui uma manifesta desordem das leis da natureza. Separar o prazer do acto instintivo da sua finalidade biológica última significa utilizar a natureza para fins diferentes dos previstos e, portanto, actuar contra a própria natureza.

Daqui se conclui também que o casal que orienta a sua vida sexual de acordo com este princípio natural, isto é, que  não separa nas suas relações conjugais o acto sexual do fim último para o qual esse acto foi criado, está a actuar de acordo com as próprias leis naturais.

É indubitável que, para além da finalidade procriadora, o acto sexual humano, ao contrário do que acontece com os animais, tem também outra finalidade: uma função unitiva.

 

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

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«Caímos tão fundo que atrever-se a proclamar aquilo que é óbvio se transformou em dever de todo o ser inteligente». (Georges Orwell)