A pessoa certa no momento certo

A propósito da última campanha Control, “Para quê complicar? É natural que uses”, e visto ser dirigida a nós, um grupo de jovens decidiu responder com algumas boas razões para complicar. A indústria dos preservativos em geral e a empresa detentora da marca de preservativos Control em particular são capazes de tudo (inclusive de tentar enganar os jovens no seu mais íntimo) para venderem o seu lucrativo produto; no entanto, para o caso de haver alguns jovens mais distraídos passamos a enumerar:

– Acreditamos que a mulher e o homem são mais do que uma vagina e um pénis. Têm outras faculdades e dimensões (nomeadamente afectiva, espiritual, intelectual) muito interessantes, embora talvez não seja tão economicamente rentável fazer-lhes alusão.

– Acreditamos que o acto sexual é algo maravilhoso, desde que seja dentro de um contexto de entrega total da pessoa humana, o que implica obviamente algumas gratas “complicações”. Ficamos muito indignados quando as pessoas, com vista à obtenção de dinheiro, são capazes de promover a adulteração de algo tão belo.

Quando os jovens deixam de utilizar esse acto no contexto próprio, e seguindo a onda dos “slogans Control”, começamos “a casa pelo telhado”, sem antes termos posto os alicerces e o cimento para uma sólida relação, a casa vem abaixo.(…) E aí é que a coisa se complica mesmo, porque além dos preservativos vão ter de começar a comprar muitos antidepressivos e afins.

Os jovens gostam de amar e ser amados profundamente. Gostamos de nos entregar, de saber esperar pela pessoa certa e pelo momento certo. Não nos importamos nada de “complicar a vida” por nobres ideais. Pelo contrário, é disso mesmo que andamos à procura, pelo que deixamos os preservativos para velhos desiludidos como os que promoveram esta campanha.

ANA PAULA VALENTE, LISBOA (in Diário de Notícias, 30 de Agosto de 2004)