A pílula RU-486

O que é a “pílula” RU-486?

A “pílula” RU-486 é um fármaco especialmente concebido para provocar o aborto nos primeiros dias de gravidez.

Além desta finalidade abortiva, também pode ser utilizado para outras indicações médicas.

Como actua a `pílula’ RU-486?

A “pílula” RU-486 à uma anti-progesterona, e a sua acção abortiva depende directamente do seu efeito anti-nidação.

A progesterona provoca a preparação do endométrio (revestimento interior do útero) para que o óvulo fecundado, ao chegar ao útero, encontre um tecido apropriado para a sua implantação ou nidação. Assim, a gravidez pode facilmente progredir. Se a progesterona não actuar, quando o óvulo fecundado chegar ao útero não pode nidar e é expulso. Portanto, pode dizer-se sem qualquer dúvida, que a “pílula” RU-486 na grande maioria das ocasiões, produz um aborto, daí o seu sobrenome de ‘pílula abortiva’.

A “pílula” abortiva RU-486 utiliza-se como método para regular a fertilidade humana?

A RU-486 foi, em princípio, concebida como um fármaco específico para produzir o aborto. Hoje, no entanto, está a ser utilizada também como método de planeamento familiar. Com efeito, os seus fabricantes, dado os elevados custos do investimento e a escassa rendibilidade que teria se fosse usada apenas como abortivo, estão a promover o seu uso como método de planeamento familiar.

Neste sentido, a propaganda dos fabricantes argumenta que é mais cómodo não depender da utilização de qualquer outro sistema anticoncepcional: se a mulher ficar grávida, tomará a RU-486 terminando a gravidez com um aborto.

Também anunciam que pode ser reguladora da menstruação se esta se atrasar. Procuram, assim, evitar a utilização da palavra aborto, tentando minimizar o problema moral relacionado com ele. Tanto mais que ela quase só é eficaz (praticamente a 100%) para provocar a menstruação quando o atraso é devido a uma gravidez.

A “pílula” abortiva RU-486 pode ter efeitos secundários para o filho ou para a mãe?

A “pílula” abortiva RU-486 pode ter efeitos secundários prejudiciais para a mulher e também para o filho, especialmente no caso de a sua acção abortiva falhar e a gravidez progredir.

Em relação à mãe, e especialmente como consequência do uso de prostaglandinas que é necessário utilizar juntamente com a RU-486 para que a sua acção abortiva seja eficaz, pode produzir hemorragias, que em alguns caso, chegam a ser graves, e ocasionam ainda dores muito incómodas. Também pode acontecer que a expulsão do óvulo fecundado, e da incipiente placenta, não seja total e obrigue a mulher a ser submetida a uma curetagem com os inconvenientes inerentes a esse acto que pode originar infecções às vezes graves, etc..

Por todas estas razões, a utilização da RU-486 (nos países que autorizaram o seu uso) só é permitida em centros hospitalares.

Os efeitos mais negativos, porém, podem ser para o filho, no caso de falhar o mecanismo abortivo e a gravidez progredir. Experimentalmente, verificou-se em animais que a RU-486 pode provocar malformações congénitas nos fetos que sobreviveram à sua utilização. Nos seres humanos, estão descritos na literatura médica dois casos de malformações congénitas, em duas crianças nascidas depois de a mãe ter tomado a RU-486 com intenção abortiva. Por outro lado, como o número de fracassos da RU-486 é aproximadamente de 5%, este mesmo número de embriões, gerados por mulheres que tomaram a RU-486, podem estar submetidos a perigo real de graves malformações congénitas, no caso da RU-486 ser utilizada como método de planeamento familiar. (Embora, de facto, estes embriões correspondam ao grupo feliz que conseguiu sobreviver ao efeito mortal da “pílula”.)

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)