A pílula

Como actua a “pílula”?

Os contraceptivos hormonais de tipo combinado (estrogénios e gestagénios) que, como dissemos, são os mais utilizados, assim como os gestagénios isolados em doses altas. actuam fundamentalmente inibindo a ovulação: modificando também o endométrio (parede interior do útero) e impedindo que o muco cervical se fluidifique no momento da ovulação. Os gestagénios isolados, em altas doses, modificam também a motilidade da trompa. Os gestagénios em doses mais baixas apenas inibem a ovulação aproximadamente em 50%, mantendo no entanto a sua acção sobre a não fluidificação do muco cervical e a motilidade da trompa.

Duma maneira geral, pode dizer-se que a “pílula” actua em muitas ocasiões como um anticonceptivo. Mas, conjuntamente com a sua eficácia para impedir uma gravidez, pode também originar uma acção anti-nidação, e portanto, abortiva.

Qual é a eficácia da pílula como método para regular a fertilidade humana?

Em geral, pode dizer-se que a eficácia de uma “pílula” depende da sua composição. São mais eficazes as fórmulas combinadas do que as exclusivamente compostas por gestagénios, especialmente se estes são usados em pequena dose (“mini-pílula”). De todas as formas, pode afirmar-se que a não eficácia média da “pílula” oscila entre 0,1 e 0,5% gravidezes por 100 mulheres ao ano. Isto é: de cada mil casais que usaram a “pílula” e que tiveram relações sexuais durante um ano, poderão ficar grávidas entre 1 a 5 mulheres.

A “pílula” tem efeitos secundários prejudiciais para a mulher?

Também os efeitos secundários da “pílula” dependem da sua composição. Em geral, pode dizer-se que estes efeitos são mais graves nas “pílulas” em que predominam os estrogénios, que nas constituídas predominantemente por gestagénios.

De qualquer forma, é unanimemente admitido, entre os ginecologistas, que a “pílula” pode desencadear acidentes tromboembólicos. Isto é especialmente mais frequente nas mulheres com mais de 35 anos de idade, que estão a tomar a “pílula” há mais de cinco anos, e que são fumadoras. Neste grupo de mulheres, a mortalidade por doença tromboembólica devida directamente à toma da “pílula”, pode chegar a ser até dez vezes superior em relação às mulheres que a não tomam. Há também uma série de doenças, tais como: hipertensão arterial, diabetes, epilepsia, alterações dos lípidos no sangue, (especialmente colesterol elevado), alterações circulatórias, varizes, etc.., (chega-se a mais de vinte situações clínicas diferentes), em que a utilização da “pílula”é contra indicada. Como consequência da importância destes efeitos secundários, a utilização da “pílula” decaiu de forma relevante nos últimos anos, na maioria dos países desenvolvidos e especialmente entre as mulheres de maior nível cultural, a tal ponto que nos países escandinavos o seu uso, na última década, chegou a uma redução superior a 70%.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.