Justificam-se as previsões catastróficas de sobrepopulação que frequentemente se fazem?

Perante os factos antes expostos. parece lógico pensar que, se as previsões demográficas se realizassem como se tem dito em muitas ocasiões, tomando como padrão de crescimento da população mundial as tendências demográficas dos países que se encontram num segundo estádio evolutivo do crescimento demográfico (no qual o seu crescimento líquido se aproxima dos 20 por mil), as previsões alarmantes verificar-se-iam indubitavelmente.

Mas se se tem em conta que toda a população mundial, como fruto inexorável do desenvolvimento económico e da transição duma sociedade agrícola para uma industrializada, se encaminha para a terceira e quarta etapas da teoria da transição demográfica, é evidente que aquelas previsões catastróficas não se podem tomar como válidas. De facto, segundo as estimativas realizadas em 1984 pelas Nações Unidas e pela UNESCO, a população mundial prevista para o ano 2000 seria respectivamente de 6.130 e 6.000 milhões de pessoas, prevendo-se, ao mesmo tempo, que a população mundial se iria estabilizar entre os 12.000 e 15.000 milhões de pessoas.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.