É fácil fazer previsões demográficas?

A dificuldade de fazer previsões para se conhecer, objectivamente, o que poderia acontecer num futuro próximo em relação com a natalidade é realmente grande. Até tal ponto isto é difícil, que os demógrafos preferem falar de projecções em vez de previsões. Alguns exemplos podem ilustrar o problema. A Divisão da População das Nações Unidas realizou previsões para o ano de 1980 em quatro ocasiões. Em 1951 calculou que a população seria de 3.000 a 3.600 milhões; em 1954 de 3.300 a 4.000; em 1958 de 3.900 a 4.300 e em 1967 de 4.100 a 4.600.

Segundo o Anuário das Nações Unidas, a população mundial em 1979 era 4.124 milhões e em 1984 4.677 milhões. Como se vê, portanto, além da variação nas sua próprias previsões que oscilou à volta de 3O% entre a cifra pensada em 1951 e a real de 1980, houve um outro erro também de 30%, aproximadamente!

De modo semelhante, as previsões feitas pelas Nações Unidas em 1966 para o ano 2.000 previam que a população poderia oscilar entre 5.449 e 7.522 milhões. Isto é: para uma população nesse momento de 3.200 milhões, calculava-se para 35 anos depois, um erro possível de 2.000 milhões. Como se vê por estes exemplos recentes, não é fácil realizar previsões demográficas.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.