São realistas as previsões que se fazem sobre a possível escassez de recursos alimentares e energéticos?

É óbvio que deve existir um equilíbrio entre a população mundial e os recursos alimentares e energéticos de que ela necessita. Com base nesta necessidade, difundiu-se a ideia de que num futuro próximo poder-se-ia produzir um desequilíbrio entre a produção agrícola e energética e o crescimento da população. Afirmava-se que a população crescia mais rapidamente que a produção de energia e de alimentos. Também neste tipo de previsões se cometeram erros objectivos. De facto, segundo os dados mais recentes da, Nações Unidas e do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, a produção mundial de alimentos igualou e depois superou o crescimento da população a partir de I977. No momento actual, o avanço tecnológico permite que a produção mundial de alimentos cresça a ritmos anuais de 3%, enquanto que o aumento da população anda por valores à volta de 1,7%. De acordo com isto, Colin Clark, ex-director do Instituto de Economia Agrícola da Universidade de Oxford, afirma que se fossem utilizadas as técnicas agrícolas adequadas, poder-se-iam alimentar, com um tipo de dieta americana, 35.000 milhões de pessoas, isto é: cerca de 6 vezes a população actual, porém se fosse utilizado um tipo de dieta japonesa, esse número poderia elevar-se até 100.000 milhões de pessoas.

Também Roger Revelle, ex-director do Centro de Estudos de População da Universidade de Harvard, chega a conclusões semelhantes ao afirmar que os recursos agrícolas mundiais podem alimentar correctamente 40.000 milhões de pessoas. São números, todos eles, muito superiores aos 12 a 15.000 milhões que, como já se considerou, parece que seria o tecto do crescimento da população mundial.

Podem fazer-se reflexões similares e chegar a conclusões semelhantes a propósito dos recursos energéticos, sobretudo tendo em conta as enormes possibilidades que podem advir da utilização controlada da energia nuclear que ainda se encontra nas primeiras fases de exploração.

Finalmente, convém recordar que o próprio Malthus, autor das conhecidas previsões alarmistas que não se verificaram, se retratou daquelas suas opiniões iniciais – quando afirmara que o crescimento da população viria a ter efeitos muito prejudiciais sobre a situação económica mundial.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.