Qual é a situação demográfica nos países desenvolvidos?

Nos países desenvolvidos tem-se assistido. nas últimas décadas, a uma tendência constante de diminuição de nascimentos. Assim, considerando o índice de fecundidade de 1990, vê-se que apenas três países europeus ultrapassavam a taxa de 2.1 filhos por mulher, taxa mínima necessária para a substituição das gerações: a Irlanda (2,18), a Suécia (2,14) e a Polónia (2.1). Estes dados contrastam, de modo chamativo com os de 1975, já que nesse ano ainda 14 países europeus superavam os 2,1 filhos por mulher – entre eles, Portugal.

Nestes quinze anos (1975 – 1990) somente quatro países dos considerados pertencentes ao mundo desenvolvido mantiveram um índice de fecundidade permanentemente superior a 2,1: a Irlanda, a Polónia, a Nova Zelândia e a Rússia (antiga URSS).

Por outro lado, no conjunto dos doze países da Europa Comunitária, em 1960 a taxa de natalidade era de 18,6 por mil, taxa que desceu para 11,8 por mil em 1990. Como a taxa de mortalidade nesse período de tempo praticamente não se modificou – 10,5 por mil em 1960 e 10 por mil em 1990 – o crescimento demográfico líquido que foi de 8,1 por mil em 1960, desceu para 1,8 por mil em 1990.

Isto quer dizer que, se as tendências demográficas não se modificarem, a população autóctone nos países desenvolvidos continuará a diminuir e, portanto, produzir-se-à um inevitável envelhecimento da população.

Com efeito, o índice de fecundidade nos países da União Europeia conheceu em 1995, segundo dados do Eurostat o máximo de 1,87 na Irlanda e o mínimo de 1,17 na Itália. Em Portugal o índice foi de 1,41.

(in La reprodución Humana y su Regulación, de Justo Aznar Lucea e Javier Martínez de Marigorta)

Justo Aznar Lucea. Doutorado em Medicina com Prémio Extraordinário. Chefe do Departamento de Biopatologia Clínica e Coordenador da Universidade de Investigação Bioquímica, do Hospital La Fé de Valência (Espanha).

Javier Martínez de Marigorta. Doutorado em Medicina e Cirurgia. Membro da Sociedade Valenciana de Bioética.