Clonagem

Talvez dizer que não

Alguns defendem que proibir a clonagem humana equivale a deter a ciência. «É compreensível (…) que os que estão desejosos de fazer avançar a ciência e de curar doenças a qualquer preço se oponham à proibição. Mas, como escreveu o moralista Paul Ramsey, “as coisas boas que os homens fazem só podem estar completas com as coisas más que eles recusam fazer”. E a clonagem é uma dessas coisas que deveríamos recusar fazer».

Não tem justificação

No entanto, há uma grande janela de esperança na Medicina reparadora: a possibilidade de utilizar células mãe de tecidos adultos, não de embriões. Recentemente foram descritas diversas experiências que demonstram a possibilidade de obter, a partir de células mãe, células de diferentes tecidos. Isto também foi conseguido a partir de células extraídas do cordão umbilical. Em Dezembro do ano passado na revista Science dois trabalhos que demonstram que células mãe da medula óssea implantadas em animais de experimentação se podiam transformar em células do sistema nervoso. Depois destas experiências, outros trabalhos vieram confirmar essa possibilidade.

Intolerância relativamente aos mais fracos

A primeira poderá ser que, no intervalo entre a fecundação na proveta e o transplante, o filho fica privado da protecção natural da mãe e, portanto, exposto a toda a espécie de manipulações, grande tentação a que o homem não será capaz de resistir (não resistiu) durante muito tempo. Por outro lado, para se conseguir o sucesso de um implante são necessários vários embriões. Os que não forem utilizados serão congelados e conservados nesse estado intermédio entre a vida e a morte, à espera que alguém queira ficar com eles, ou até serem destruídos ao fim de algum tempo, a não ser que sejam oferecidos para investigação como qualquer animal de laboratório. Isto é congruente com a dignidade humana?

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