Eutanásia

Viver com cancro

Três semanas antes da sua morte, Javier Mahíllo concedeu esta entrevista, da qual publicamos alguns excertos. Acabava de superar uma recaída que o manteve na cama durante vários dias. No passado mês de Maio, os médicos tinham-lhe dado cerca de seis meses de vida. O diagnóstico cumpriu-se com bastante exactidão.

Eutanásia: A dor

“Sou tetraplégico. As minhas pernas não respondem e a musculatura dos braços e dos dedos está muito diminuída. Sou muito dependente, não consigo deslocar a cadeira na rua, não posso vestir-me nem atar os sapatos. “Contratei duas pessoas que se fazem turnos para me ajudar. A maioria dos tetraplégicos não pode pagar estes salários e vive muito mal, em centros, esperando a morte. Eu, no início, desejei morrer. Estive um ano no hospital. Só podia mexer a cabeça. Abandonaram-me a alegria de viver, a saúde e o desejo.

Cuidados paliativos

A “medicina paliativa”, ou “cuidados paliativos”, é a forma civilizada de entender e atender aos doentes terminais, oposta principalmente aos dois conceitos extremos aludidos: obstinação terapêutica e eutanásia. Esta é uma nova especialidade de cuidados médicos ao doente terminal, que contempla o problema da morte do homem numa perspectiva profundamente humana, reconhecendo a dignidade da pessoa no âmbito do grave sofrimento físico e psíquico que o fim da existência humana muitas vezes comporta.

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